De modo geral, a palavra é o elemento fundamental da comunicação. É um signo universal que engloba conceitos, ideias e tudo o que é necessário até mesmo para o pensamento, que é um estágio anterior e pré-requisito à comunicação. Assim, podemos localizar dois momentos bem distintos da palavra: pensamento e linguagem.

A palavra enquanto pensamento faz parte integrante da pessoa. Pode, talvez, até ser considerada sua essência, pois ali residem todas as elaborações, a interação entre razão e emoção na qual todas as coisas são planejadas quer venham a transformar-se em ações, quer não. Diz respeito à intimidade, àquilo que se processa no interior da pessoa.

Posteriormente, parte de tudo o que se passou no pensamento será exposta num outro estágio que denominamos linguagem. É a exteriorização da palavra, que pode ser expressa pela fala, por gestos, pela escrita, etc. É a mesma palavra em várias formas assim como a água pode apresentar-se em estados diferentes, como sólido, líquido e gasoso, sem mudar sua essência.

Obviamente, a quantidade de palavras nos pensamentos é muito maior do que a que se transforma em linguagem, pois, ao comunicar-se, a pessoa escolhe as palavras para determinada finalidade objetiva e omite aquelas que julga desnecessárias ou inconvenientes às suas intenções. Embora a comunicação por meio de palavras seja insuficiente para conhecer uma pessoa, ainda assim podemos considerar que constitui o principal ponto de partida para tal conhecimento, pois as palavras têm origem no interior de cada um. Não é por acaso que, muitas vezes, enquanto ouvimos alguém, surgem dúvidas em nosso interior tais como: “O que ele quer dizer com isso?” ou “Aonde ele quer chegar?”. Paralelamente, tentamos usar as palavras que chegam a nós por meio da fala, das expressões ou da escrita para espiar o interior de nosso interlocutor, aproveitando as frestas abertas por sua comunicação. Ou seja, ouvimos a linguagem, mas, ao mesmo tempo, fazemos um esforço para desvelar o pensamento.

Isso acontece porque sabemos que pode não haver uma total correspondência entre o pensamento e a linguagem de cada pessoa. As pessoas mudam no transcorrer do tempo, quer pelo desenvolvimento natural em direção à maturidade, quer por mudanças de opinião como de quem experimenta uma genuína conversão de vida, quer porque sua linguagem também está a serviço de intenções veladas. Concluímos, então, que somente a linguagem não basta para realmente conhecermos a pessoa; é imprescindível que conheçamos também seus pensamentos.

Podemos aplicar esse mesmo raciocínio a Deus desde que guardemos algumas diferenças. Em primeiro lugar, Deus não muda, pois não está sujeito a qualquer desenvolvimento. Ele sempre é; portanto, sua palavra também é imutável. Em segundo lugar, Deus não mente; consequentemente, não falseia entre o pensamento e a linguagem. Sendo assim, ao contrário do homem, há perfeita coerência entre o que Deus pensa e o que fala.

Entretanto, há pontos na comunicação divina que guardam relação com a comunicação humana. A limitação da linguagem é uma delas. João escreveu que, por falta de espaço no mundo, não daria para escrever tudo o que Jesus ensinou e fez. Podemos imaginar o esforço para colocar em palavras suas visões apocalípticas ou a espiritualidade que perpassava no coração. Na Bíblia, encontramos, muitas vezes, os autores recorrendo a expressões que mostram a limitação das palavras. Por exemplo, João traduz o tamanho do amor de Deus por “de tal maneira” (Jo 3.16), enquanto Paulo tenta expressá-lo dizendo que precisamos compreendê-lo em toda a sua “largura, comprimento, altura e profundidade” embora exceda “todo entendimento” (Ef 3.17-19). Depois, Paulo ainda afirma que Deus faz “tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos” (Ef 3.20) e, por fim, para “jogar a tolha”, ele se refere ao que ouviu quando foi arrebatado como “palavras inefáveis” (indescritíveis por palavras humanas), “as quais não é licito ao homem referir” (2 Co 12.4). Evidentemente, quando relacionamos Comunhão com a Palavra de Deus, estamos referindo-nos ao âmbito da Palavra enquanto pensamento e não somente como linguagem.

Percebemos, então, que João e Paulo estavam no pensamento de Deus quanto à Palavra, embora tivessem de transmiti-lo sob a limitação da linguagem. Assim, também, podemos entender quando a Escritura diz que Moisés conhecia os caminhos do Senhor enquanto o povo só via seus feitos (Sl 103.7). Moisés, como legislador, mais do que a letra, conhecia também o espírito da lei. Da mesma forma, Davi – um homem segundo o coração de Deus –, em cuja boca foram antecipados até palavras, situações e sentimentos que Jesus viria expressar em sua encarnação. Enquanto Moisés se destacava pela razão, como legislador, entrando em detalhes da mais acurada engenharia, Davi notabilizou-se pela emoção do coração, transformando em arte (como poesia, dança, música e outras) aquilo que pulsava no coração de Deus.

Esses autores bíblicos não tinham a consciência da importância do que escreviam ou de como seria preservado para as futuras gerações. Tampouco Paulo e João sabiam que estavam escrevendo a Bíblia; tanto eles quanto os destinatários imediatos das missivas julgavam ser apenas cartas pessoais. Porém, acima de tudo, esses textos reproduziam em linguagem a palavra que procedia diretamente do pensamento de Deus. Isso era o que, de fato, tornava-os importantes.

Deus tem meios multiformes para se comunicar com o homem, e a Bíblia é um deles. Seja qual for o meio, a linguagem sempre será insuficiente para uma compreensão plena. Por isso, é necessário conhecer também o pensamento de Deus no qual se origina a linguagem.

No embate com Jesus durante a tentação no deserto, Satanás apoderou-se da linguagem para tentar induzir Jesus ao pecado, afirmando a cada proposta: “pois está escrito”. Mas enquanto ele se atinha ao raso da linguagem, Jesus ancorou-se no profundo pensamento, fonte da palavra, e advertiu-lhe que têm valor para a vida as palavras que procedem da boca de Deus: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4). Um pouco depois, fulminou-o com sua exclusividade ao Pai: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” (Mt 4.10).

Portanto, não basta apenas linguagem, pois esta pode ser distorcida segundo as intenções de quem a está usando. A procedência também tem de ser original e autêntica. A água só pode ser considerada viva enquanto está em contato direto com sua fonte. A partir do momento em que é engarrafada, começa a contar seu prazo de validade e está sujeita a alterações.

A Bíblia não deve ser usada como um amuleto cristão, pois, como objeto, não tem nenhum poder divino em si. As palavras ali impressas somente terão efeito ao reagir com um coração que as receber como palavra de Deus. Isso só é possível mediante a ação do Espírito Santo que as escreveu conhecendo o pensamento de Deus e que, agora, é poderoso para revelá-las ao leitor. É ele que faz a conexão entre linguagem e pensamento, autenticando a fonte da palavra, a boca de Deus.

Pode parecer paradoxal, mas é possível alguém ler a Bíblia e aumentar ainda mais seus pecados se a ler com intenções erradas, como tentar tirar proveito para si, com fins estranhos àquilo que a própria Bíblia ensina. Há quem leia a Bíblia, especialmente os livros proféticos, como Daniel e Apocalipse, para fazer correlações com os escritos de Nostradamus e outros autores esotéricos, nivelando todos como ferramentas para tentar adivinhar o futuro e fazer prognósticos. Restringir a Palavra de Deus apenas à linguagem pode conduzir-nos a erros, principalmente se a interpretarmos segundo intenções pessoais.

Jesus é a Palavra de Deus de acordo com o evangelho de João. Porém, Jesus não era apenas a linguagem de Deus; era também seu próprio pensamento, a exata expressão de seu ser. Jesus, como homem, foi a linguagem encarnada do pensamento do Pai. Como o Pai pensava, Jesus agia. Essa foi sua missão. Depois de sua ascensão, enviou o Espírito Santo para guiar-nos a toda a verdade, dando continuidade, assim, a seu ministério junto aos homens. Sendo este, agora, um ministério coletivo, é imprescindível a comunhão como a temos conceituado ao longo desta série, ou seja, um ambiente de inter-relacionamento no qual não prevalece a vontade das pessoas, seja a de alguém mais expressivo, seja a média ou a soma de todas as opiniões, e, sim, o resultado do esvaziamento completo de todos em favor da direção exclusiva da vontade de Deus.

Para se viver nesse ambiente, é imperioso que cada um se disponha a encontrar o pensamento de Deus e não se limitar apenas à linguagem da Palavra de Deus que é insuficiente até para prover a comunhão.

O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo (1 Jo 1.1-3).

Se desejamos experimentar a verdadeira comunhão, não podemos contentar-nos com o raso da linguagem bíblica; é preciso, por intermédio do Espírito Santo, associá-la diretamente à fonte de seu pensamento. Por outro lado, a vida em comunhão permite um ambiente para a manifestação da Palavra, vinda do profundo de seu pensamento. Essa reciprocidade cria um ciclo continuo de fortalecimento da prevalência diretiva da vontade de Deus.


Autor: Pedro Arruda
Fonte: Revista Impacto


No filme Blow, o ator Jhonny Deep interpreta George Jung, um jovem que migra de Massachussets para Califórnia para se converter no maior traficante de drogas dos Estados Unidos. Neste processo, ele é preso diversas vezes não somente por tomar um caminho errado, mas também por confiar nas pessoas erradas.

Assistir pela segunda vez a história de George Jung me fez refletir em certos valores que precisamos cultivar. Vivemos em um mundo ao avesso, onde projetos valem mais que relacionamentos, pessoas valem menos que coisas e quem tem dinheiro tem sempre a última palavra. No final das contas, valorizamos coisas e usamos pessoas, quando na verdade deveríamos usar coisas e amar pessoas.

Embora tenha tardado muito em refletir, o personagem de Jhonny Deep finalmente se dá conta de que o mais importante na vida não é ter dinheiro, mas ter família, amigos verdadeiros, pessoas em quem confiar. Aos 42 anos, no interior de uma prisão estadunidense, George percebe que sua ambição lhe levara em derrocada, e chega até mesmo a sentir saudade da vida simples que levava em Massachussets, ao lado do pai. Contudo, este sentimento não lhe pode restituir os anos idos, nem a filha que ele tanto amava.

Amigo leitor: se há uma grande verdade ilustrada nesta trágica história, é que a confiança em riquezas é coisa vã. Ter dinheiro é bom, mas cultivar um relacionamento saudável é muito melhor. O amanha é coisa incerta, portanto, jamais permita que a ambição te afaste das pessoas que realmente se importam com você.

Pense nisso!


Autor: Leonardo Gonçalves
Fonte: Pulpito Cristão



Talvez uma explicação calvinista do significado de responsabilidade ajude a clarear o problema. Devemos começar com uma definição: responsabilidade é simplesmente um sinônimo de “prestar contas”, e significa que devemos responder diante de Deus, o juiz, por nossas ações. Isso quer dizer que, se Deus nos chama para tratar de uma de nossas ações, ficamos moralmente obrigados a responder por ela diante de Deus. Somos “responsáveis” diante de Deus. Embora a Escritura não use o termo abstrato responsabilidade, o fato de que seremos finalmente chamados à juízo é frequentemente encontrado em toda a Escritura. A Bíblia baseia a responsabilidade em quatro coisas.

Primeira, somos responsáveis diante de Deus porque ele é o Criador e nós somos criaturas. Deus tem liberdade de chamar qualquer elemento de sua criação para responder diante dele a qualquer hora — é simplesmente sua prerrogativa como Senhor Soberano. O barro está sujeito ao Oleiro simplesmente porque ele é o Oleiro. Em outras palavras, nossa responsabilidade está baseada em nossa ontologia, ou em nosso ser, como criaturas. Esta é a mensagem de Jó, quando Deus lhe responde do meio do redemoinho (Jó 3 8.1 -4), e de Isaías, que contém uma longa polêmica contra aqueles que se esquecem do Criador a fim de adorar a criatura (40-57). Paulo sumariza os resultados dessa irresponsabilidade moral em Romanos 1. Ele empresta de Isaías (29.16; 45.9; 64.8), de Jeremias (18.1 -6) a imagem do Oleiro e do barro que ele usa em Romanos 9.21. No final, todos nós compareceremos perante o tribunal de Deus (Rm 14.10). No final, “todo joelho se dobrará” (Is 45.23).

Segunda, somos responsáveis diante de Deus porque ele é o ponto de referência moral para o que é certo e errado, e não nós próprios. Isso é o que é vinculado ao nosso reconhecimento de Deus como santo. Nossa responsabilidade diante de Deus é uma necessidade ética, por causa de nossa necessidade de um padrão fora de nós mesmos. Jó percebeu que como Deus é soberano sobre sua criação, ele também é justo permanecendo contra a pecaminosidade de Jó (40.1 -5; 42.1-6). Na verdade, Jó não havia feito nada para merecer o tratamento que recebeu de Deus. Ele havia sido mais reto do que seus amigos “confortadores”, e seu entendimento da situação foi mais teologicamente correto do que as explicações especulativas que eles ofereceram para os sofrimentos de Jó (1.22; 42.7). Mas o próprio Deus é o padrão moral tanto para ele próprio como para nós, como Eliú mostrou no capítulo 34. Portanto, Jó tinha de submeter-se inteiramente ao que Deus fez, tenha ele entendido a razão de tudo ou não. Nem o próprio Jó descobre o que o leitor do livro sabe — que Jó é realmente peça de um jogo bem maior, na grande disputa entre Deus e Satanás (1.6-12; 2.1-7). Deus não está obrigado a dizer-nos todas as coisas. Antes, o pequeno conhecimento que temos é um ato de misericórdia.

Terceira, somos responsáveis diante de Deus pelo conhecimento que temos. Todos os pecadores pecam (mais ou menos) contra a luz e a verdade. Ninguém é destituído totalmente da luz da consciência, e seremos julgados de acordo com a luz que temos (Rm 2.12-16). Aqueles que têm menos conhecimento serão julgados menos severamente do que aqueles que pecam com mais luz. Daniel adverte o rei Belsazar de que ele conhecia mais coisas a respeito dos tratos anteriores com Deus do que seu pai Nabucodonosor: “Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que sabias tudo isto” (Dn 5.22). Em Lucas, o servo ignorante que desobedeceu é punido menos severamente do que o servo que conhecia a vontade de seu senhor e, ainda assim, não fez a sua vontade (Lc 12.42-48). Assim, há graus de responsabilidade neste sentido. Podemos chamar isso de nossa responsabilidade epistemológica. Somos responsáveis pelo que conhecemos — poderia ser dito que há uma mordomia da verdade pela qual deveremos responder finalmente diante de Deus.

Quarto, somos responsáveis porque o propósito da criação é a glória de Deus (Is 43.7; Cl 1.16; Ap 4.11), e somos responsáveis como mordomos das bênçãos de Deus para cumprir o fim ou o propósito de Deus em criar-nos no mundo. Deus ama sua criação e finalmente “destruirá aqueles que destroem a terra” (Ap 11.18). Podemos nos referir a esta responsabilidade como sendo a responsabilidade teleológica, porque ela diz respeito à nossa tarefa como servos no desígnio da criação, que é a de trazer glória a Deus.

Parece, então, que longe de basear a responsabilidade humana em alguma teoria do livre-arbítrio inato no ser humano, a Bíblia baseia-a nas implicações da distinção entre o Criador e a criatura, e as relaciona com as quatro áreas clássicas da ontologia, ética, epistemologia e teleologia. Em outras palavras, por toda a Escritura, a responsabilidade é um reflexo de nossa relação com Deus como Criador, como a origem do significado moral, como nosso ponto de referência para a verdade revelada e como aquele que dá propósito e direção últimos à sua criação. E se Deus é, de fato, o ponto de referência máximo para o significado nas quatro áreas do ser, do conhecer, da ética e do propósito, onde poderia a criatura permanecer para elaborar uma crítica racional de qualquer coisa que Deus possa fazer? Esse é o ponto filosófico em que se baseia o desafio de Paulo em Romanos 9.20: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?” Não há simplesmente nenhum ponto de partida disponível para um ser finito num universo finito. Para uma criatura, todos os pontos são relativos. Somente por ouvir primeiro a revelação de Deus pode um ser finito ter qualquer ponto de referência fixo. Este tópico será levantado novamente no capítulo 11, onde trataremos da questão da localização da referência suprema.


Fonte: A Soberania Banida, Editora Cultura Cristã, págs. 61-63.
Via: Monergismo




“Vocês pensam que vim trazer paz à terra? Não, eu lhes digo. Ao contrário, vim trazer divisão! De agora em diante haverá cinco numa família divididos uns contra os outros: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos pai contra filho e filho contra pai, mãe contra filha e filha contra mãe, sogra contra nora e nora contra sogra” (Lc 12.51-53)


Alguns anos atrás, tive uma altercação com uma parenta. Era uma seguidora devota de uma religião não cristã, e o conflito havia irrompido por causa disso. Ela era daquela opinião capenga que todas as religiões são essencialmente a mesma coisa e conduzem a humanidade para o bem, e devota que ela era, alegara que considerava a família como a coisa mais importante. Algumas pessoas assumem que se uma religião divide uma família, deve ser uma seita perigosa.

Ela disse: “religião não é sobre unidade? E família não é a coisa mais importante?”. Respondi: “Claro que não. Religião é sobre a verdade, especialmente a verdade sobre Deus e a verdade de Deus. Essa verdade leva à salvação e adoração correta. Defendo que a verdade está em Jesus Cristo e somente nele. E como você não pensa assim, eu condeno a sua religião como falsa. Como religião é sobre Deus, ela é mais importante do que qualquer outra coisa, e muito mais importante do que a família”.

Então acrescentei: “Contudo, se você realmente acredita que religião é sobre unidade e realmente acredita que família é a coisa mais importante, por que não renuncia à sua religião para que possa haver unidade entre nós?” Ela se recusou. Você percebe, ela era hipócrita. Queria que eu cedesse em minha fé para acomodar a sua, mas ela mesma não se moveria um centímetro, mesmo sendo ela quem dissera que religião deveria ser sobre unidade e que a família deveria ocupar o lugar mais alto.

Assim é com todos aqueles que promovem tolerância e diversidade religiosa e culpam a fé cristã de se recusar a seguir suas agendas. São pessoas fingidas, hipócritas e autocontraditórias. Elas não querem realmente dizer que todos devem aceitar uns aos outros, mas que todos os cristãos devem abandonar suas crenças e abraçar essa miscelânea de loucura e confusão. Se rejeitarmos esse absurdo, vão dizer que somos fanáticos e violentos, uma ameaça à sociedade.

Não seja enganado. Elas são mentirosas. Vão retratar Cristo como alguém que ele não foi, interpretando suas palavras para dizer algo que ele nunca quis dizer ou, de algum modo, vão manipular você para transigir em sua lealdade a ele. Muito embora afirmem que a paz é mais importante do que as nossas diferenças ideológicas, elas não vão renunciar às suas próprias crenças para ter paz com você. Muito embora berrem tolerância e diversidade, sua tolerância e diversidade não dá lugar aos cristãos que discordam delas.

Talvez até contemporâneos de Cristo imaginassem que ele traria harmonia em todos os relacionamentos humanos, ou ao menos nas famílias ou no país onde o vínculo de sangue e nacionalidade já existisse, esperando ser aperfeiçoados por esse grande profeta, o Messias. Jesus disse que esse seria um mal-entendido. Ele não veio para trazer paz ou unidade entre os homens, mas introduziria divisão até mesmo onde ela não existira antes. Ele não estava constrangido acerca disso, mas disse: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10.37).

Paz verdadeira só é possível quando os não cristãos renunciam a suas religiões, suas filosofias, suas ciências ― que são falsas e irracionais ― e se curvam diante de Jesus Cristo. A unidade verdadeira só é possível quando os não cristãos lançam suas mãos ao alto e se arrependem no pó e na cinza. E então haveremos de abraçá-los e chamá-los irmãos e irmãs, pais e mães. A menos que isto aconteça, haverá sempre divisão entre nós.

Não cristãos tentam nos culpar por isso, mas a divisão persiste porque a Verdade chegou, e eles não podem afugentá-la. Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”. É o que ele disse. O que faremos a respeito disso? Eles não acreditam nisso, mas nós acreditamos. As pessoas falam do “elefante na sala”. Bem, Jesus Cristo veio e está em nosso meio. É a questão que não pode ser ignorada. Se você finge que ele não está aí ou que isso não faz nenhuma diferença, ele o chutará na face.

Como cristãos, ansiamos por paz, mas não nos satisfazemos com o fingimento, com uma paz que se baseia na transigência, ou ilusão, e em esconder nossas verdadeiras crenças. Satisfazemo-nos apenas com uma paz que se baseia numa crença comum na verdade, a verdade que Deus revelou-nos em Jesus Cristo e registrou para nós na Bíblia.

Na verdade, como havia declarado num contexto diferente, Jesus Cristo trouxe unidade, mas apenas ao seu povo. Essa unidade era, de fato, tão poderosa que sobrepujou muitas gerações de preconceito, de sorte que judeus e gentios aprenderam a aceitar uns aos outros, o rico abraçou o pobre e lavou seus pés, e as mulheres foram reconhecidas como co-herdeiras com os homens através de Jesus Cristo, e até mesmo sacerdotes de Deus, tendo acesso direto ao trono celestial, com plenos direitos de receber uma educação na piedade.

Claro, há sempre mais trabalho a ser feito, visto que o pecado ainda opera entre nós, e novos crentes chegam às igrejas todos os dias, mas fora de Cristo não há nenhum tipo de unidade como essa. Novamente, não estamos nos referindo a uma civilidade superficial, possível pela transigência ou supressão das divergências, mas de uma inquebrável fraternidade unida pela verdade e pela fé. Sigamos então o exemplo de Cristo, trazendo unidade onde deve haver unidade, mas divisão onde deve haver divisão.


Fonte: www.vincentcheung.com
Tradução: Marcelo Herberts (Nov/2010)
Via: Monergismo




No dialogo fictício que se segue, temos o irmão Lutero e o irmão Francisco. Lutero é membro de uma igreja protestante histórica, já Francisco é membro da Congregação Cristã do Brasil (CCB).

Esse diálogo, embora fictício, reflete uma realidade incontestável. Veremos porque muitos cristãos hoje têm dificuldades em ver a CCB como uma igreja genuinamente cristã. A proposta aqui é que, embora o credo oficial da CCB não contenha heresias, a atitude observada entre seus membros e lideres não tem correspondido com seus pontos de fé, pontos que estão implícitos os ideais do Protestantismo Histórico. (Não compartilho da idéia que a CCB seja uma seita. Porém, não posso deixar de pensar que seja uma igreja com atitudes exclusivistas. Em vários membros e lideres, nota-se que a salvação está vinculadas ao batismo lá realizado.)

Boa leitura !

( Lutero) – Olá irmão Francisco ! Tudo bem?

(Francisco)- Sim estou bem. E você Lutero?

(Lutero) – Irmão Francisco, você nunca me chama de irmão nem me cumprimenta com uma saudação cristã. Você tem alguma coisa contra mim?

(Francisco)- Não Lutero, eu gosto muito de você, mas é que você não é meu irmão na fé.

(Lutero)- Mas como não Francisco? Nós confessamos o mesmo Senhor, confiamos no mesmo Deus que salva graciosamente por meio de Cristo.

(Francisco)- Mas Lutero, tem muito mais envolvido em crer no mesmo Senhor. Às vezes Deus não se agrada de algumas coisas que sua igreja prega ou faz. Então não temos como comungar a mesma fé. A nossa doutrina não é a mesma.

(Lutero) – Tudo bem Francisco. Eu não acho que minha denominação é perfeita. Mas você acha que tudo na CCB é perfeito?

(Francisco)- Lutero, os homens erram, mas a Congregação é perfeita, é a graça!

(Lutero)- Olha Francisco, estou com dois sentimentos opostos. Admiração e indignação. Acho interessante pensar que a CCB é perfeita, mas dizer que ela é a graça de Deus!? A graça de nosso Deus não pode estar vinculada nem limitada a uma denominação religiosa, por melhor que seja. Somente uma pessoa pode concentrar em si algo tão grande: o Senhor Jesus.

(Francisco)- Você pode não entender, mas veja: Vocês oram em pé e a Bíblia diz que quem ora em pé é hipócrita! Veja em Mateus 6.5.

(Lutero)- Irmão Francisco... me desculpe mas esse versículo não diz isso, e sim que ‘os que gostam de serem vistos pelos homens’. Ou seja, Jesus está reprovando o exibicionismo, note o versículo 2, estaria Jesus reprovando as boas obras? Outra coisa, em Mateus 23.5,6,7 o Senhor deixa bem claro isso. Seriam os Anciãos de sua igreja hipócritas por ocuparem os primeiros lugares na igreja?

(Francisco)- Um dia você vai entender Lutero. Temos que orar de joelhos. A Bíblia diz que todo joelho se dobrará diante do Senhor Jesus’. É falta de respeito orar em pé. Jesus, Paulo e outros oravam de joelhos no chão!

(Lutero)- Concordo, acho realmente certo, mas não se pode condenar uma prática diferente. Até mesmo Jesus falou de oração feita em pé que foi ouvida (Lucas 18.9-14).

(Francisco)- Não, não! Só o fariseu orou em pé, o outro não diz que orou, veja o versículo 13 ... ele só clamava.

(Lutero)- Negativo Francisco, no versículo 10, Jesus disse que ‘os dois subiram para orar’, foi e é uma oração.

(Francisco)- Lutero, você precisa buscar a Deus, pedir para Ele te revelar. Tem tantas outras coisas que você não sabe. Mas só Deus para te revelar.

(Lutero)- Ok irmão Francisco, se quiser pode me falar o que quiser, se for um ensinamento bíblico estarei disposto em apreciar.

(Francisco)- Olha Lutero, vamos ver Romanos 16.16 ... aqui temos um mandamento, o ósculo santo como saudação cristã. A sua igreja saúda com o ósculo santo? Aqui diz que as igrejas de Cristo saúdam com o ósculo.

(Lutero) – Não.

(Francisco) - Se ela não faz isso, então ela não é igreja de Cristo!

(Lutero) – Então as igrejas que tem essa prática, como os ‘adventistas movimento da reforma’, e outros, são igrejas de Cristo por esse motivo?

(Francisco) – Não... Não sei deles, mas a Congregação cumpre esse mandamento e a sua não.

(Lutero) – Irmão Francisco, não acha que essa era uma prática cristã herdada dos judeus assim como o lava-pés? Um costume cristão?

(Francisco) – É Lutero, meu amigo, você não entende mesmo, isso é mandamento! Lava-pés sim era costume, ósculo é mandamento.

(Lutero) – Bem, como você pode me provar que ósculo era mandamento e o lava-pés era costume quando o próprio Cristo colocou os dois em pé de igualdade? Lucas 7.44-46.

(Francisco) – Aqui está dizendo um ‘exemplo’, exemplo não é mandamento.

(Lutero) – Por favor Francisco !? Você está usando dois pesos e duas medidas. Leia João 13.14 e veja se sua resposta condiz com isso.

(Francisco) – Aqui Lutero o Senhor Jesus está só dando um exemplo, ademais, os apóstolos não ensinaram isso.

(Lutero) – Afirmou dois enganos. Primeiro; Jesus disse: “Deveis fazer isso também.” Isso não é exemplo irmão Francisco. Segundo: O apostolo Paulo usou o ‘lava-pés’ como prática cristã identificadora (I Timóteo 5.10).

(Francisco) – Eu vou refletir um pouco nisso depois. Mas vocês praticam o lava-pés Lutero?

(Lutero) – Não irmão Francisco, a Bíblia foi escrita em uma cultura diferente da nossa. E alguns costumes aceitáveis e moralmente corretos foram relatados na Bíblia, bem como incorporados na prática cristã primitiva. Um aperto de mãos, um abraço, um convite e etc., estão mais próximos de nossa realidade. Mas enfatizo, NÂO É ERRADO saudar com um beijo ou praticar o lava pés ‘cerimonialmente’. Errado está em julgar outros por isso e se identificar como única igreja verdadeira por causa desses costumes.


Parte 2



Recapitulando: uma conversa fictícia entre Lutero de uma igreja protestante e Francisco da CCB.

(Francisco) – Mas tem outro problema muito sério que sua igreja faz, algo totalmente errado. Os pastores recebem salários para exercerem a função. Na Congregação não. Os Anciãos têm seus próprios trabalhos, pois quem não trabalha não come, diz a Escritura. E o apóstolo Paulo vendeu tenda para não ser pesado aos irmãos. A Bíblia diz que os pastores são ladrões...


(Lutero) – Calma, irmão Francisco. Eu concordo que existem muitos pastores que são verdadeiros mercenários e empresários da fé, mas não posso negar o principio bíblico do sustento pastoral por causa de exageros, além de não poder também generalizar por causa da ala podre.

(Francisco) – Não existe isso na Palavra Lutero. ‘Sustento pastoral’, isso é invenção.

(Lutero) – Irmão Francisco, veja isso então... Em I Coríntios 9 Paulo diz que não tinha deixado de trabalhar. Mas outros apóstolos e lideres da igreja tinham deixado o emprego secular! (Vers.12). Ele afirmou no versículo 11 que podia colher ‘recursos materiais’ da igreja. Além de dizer que recebeu salários de outras igrejas...

(Francisco) – Onde está isso?

(Lutero) - Em II Coríntios 11.8

(Francisco) - O que é despojar?

(Lutero) – É saquear.

(Francisco) – Olha Lutero, Deus me revelou essa graça, pois Ele é nosso Pastor, e na sua igreja existe pastor, e pastor é só o Senhor Jesus. Na Bíblia tem Ancião, Presbíteros e Bispo, mas não tem ministério de Pastor, então eles ocupam o lugar do Senhor Jesus. Não são ovelhas, João 10.1 confirma isso.

(Lutero) – Com respeito a nomenclatura, eu acho que não estamos sintonizados. Todo Presbítero/Bispo/Ancião é Pastor e vice-versa. Em alguns sistemas de governos eclesiásticos usa-se o sistema episcopal, entretanto, tratando-os como Pastores.

(Francisco) – Mas estão errados! Pastor é um só, o Senhor Jesus.

(Lutero) – Francisco ... o uso do termo não faz diferença nesse caso. Veja, Jesus Cristo é também chamado de Bispo em I Pedro 2.25, entretanto a Bíblia chama homens de Bispos.

(Francisco) – Mas não tem na Bíblia ministério ‘de pastor’, isso é uma afronta ao Senhor Jesus.

(Lutero) – Não está causando problema demais num assunto tão trivial? Veja, na CCB existe um ministério de ‘Cooperador’ (de adultos e de jovens). Existe isso na Bíblia?


(Francisco) - Sim existe. O apostolo Paulo chamou alguns de Cooperadores.

(Lutero) – ‘Cooperador’ por cooperarem com ele irmão Francisco. Não existia apresentação e/ou ordenação para tal ‘ministério’. Está notando o problema da nomenclatura? Na CCB a realidade dos fatos é: Ancião = a um Bispo Anglicano ou Metodista, muito embora com um raio de ‘domínio’ menor. Cooperador = Presbíteros, porém sem muita autonomia local.

Fonte: [ MCA - Ministério Cristão Apologético ]
Via: [ Bereianos ]



Fui convidado para o aniversário de uma igreja onde a reunião começou com o alarido de um shofar, em seguida o pastor convocou a congregação para uma peregrinação em direção a tenda do Abraão que estava montada atrás do púlpito, depois a viagem seguiu rumo a benção contida dentro de uma replica da arca da aliança no canto direito da igreja e por fim todos receberam a unção com óleo de Israel. No final da reunião pensei: Como é possível uma igreja que se diz cristã passar pela tenda do Abraão, pela arca da aliança, receber o óleo ungido de Israel, e não passa pelo significado da cruz em sua liturgia?

É crescente o número de comunidades cristãs com rituais e liturgias saturadas com simbolismos e figuras judaicas. É inegável o significado histórico da cultura judaica para o cristianismo, de modo que, não resta dúvida da importância hermenêutica que as figuras do antigo testamento carregam consigo para a interpretação da graça divina contida no novo testamento, mas, fazer do culto cristão um ato cerimonial essencialmente judaico é não discernir o significado e a liberdade contida em Cristo Jesus.

Shofar, estrela de Davi, arca da aliança, pano de saco, teshuvá e outros apetrechos judaicos tem ganhado mais importância em alguns redutos cristãos do que o próprio significado da cruz.

O perigo é inegável quando a centralidade da vida, das Escrituras e do culto, deixa de ser Jesus Cristo e passa a ser um outro elemento, ainda que tenha grande relevância ou significado religioso.

Quando todos os símbolos religiosos são colocados diante do significado da Cruz, tornam-se apenas sombras. Todos os rituais religiosos do antigo testamento quando confrontados com a liberdade cristã, passam a ser simplesmente apontamentos que existiram no passado e que indicavam a graça de Deus em Cristo Jesus.

O apóstolo Paulo enfrentou a força do ritualismo religioso, tendo inclusive que inúmeras vezes denunciá-lo e combate-lo: “É alguém chamado, estando circuncidado? fique circuncidado. É alguém chamado estando incircuncidado? não se circuncide. A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus. Cada um fique na vocação em que foi chamado.”I Co 7.18-20

O modus operandis da graça divina simplificou o caminho em direção a Deus, fazendo com que, os rituais e as performances religiosas perdessem o seu valor e significado diante da plenitude de satisfação do sacrifico de Cristo Jesus diante da justiça divina.

Mas como abandonar as performances humanas relacionadas ao rito? O que fazer com os diversos apetrechos litúrgicos que encantavam e ludibriavam a alma? Como substituir o complexo, ardoroso e extensivo sistema litúrgico da auto justificação humana pela simplicidade da liberdade em Cristo Jesus?

O abandono da religiosidade pagãs sempre foi o desafio de toda alma humana propensa ao ritualismo, que procura evitar a qualquer custo os benéficos da graça divina.

Um dos objetivos da graça de Deus em Cristo Jesus é promover uma varredura e libertação do paganismo, amuletos, e toda espécie de quinquilharia religiosa que objetivam substituir a glória de Deus manifestada em Cristo.

O que estão chamando de evangelho forte (principalmente pela teologia da prosperidade) tem gerado pessoas fracas e adoecidas espiritualmente, enquanto que, a máxima do evangelho permanece o mesmo – “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” II Co 5.19,20.

Estou convencido de que, quanto maior for a centralizada singela em Cristo Jesus, mais poderosa será a vida da Igreja.


Autor: Samuel Torralbo
Fonte: [ Ultimato ]
Via: [ Bereianos ]



“ROGO-VOS, POIS, IRMÃOS, PELAS MISERICÓRDIAS DE DEUS, QUE APRESENTEIS O VOSSO CORPO POR SACRIFÍCIO VIVO, SANTO E AGRADÁVEL A DEUS, QUE É O VOSSO CULTO RACIONAL” (ROMANOS 12:1)

O termo ‘racional’ remete a raciocínio. Parece bastante óbvio. Assim como também, por associação, se entende que somente os seres humanos podem apresentar tal culto, visto que somente eles possuem raciocínio. Os anjos também possuem raciocínio, porém, por natureza não possuem corpo, visto que são espíritos (Hebreus 1:14). Paulo está falando aqui exclusivamente à igreja.

O vocábulo correspondente na versão original o grego “logikên latreian”, ou seja, ‘culto racional’, também pode ser entendido, sem prejuízo, como ‘culto lógico’. De fato, há lógica na racionalidade e vice-versa. Quem acha que essas coisas trazem prejuízo à fé, precisa rever seus conceitos.

O que Paulo está querendo dizer à igreja de Cristo?

Por suas colocações vemos que há uma preocupação do apóstolo em mostrar aos irmãos a necessidade de que se realmente entenda a natureza de tudo isso, no caso, a igreja.

Por que estou aqui? Quem me trouxe aqui? O que vim fazer aqui? O que estão me ensinando é verdade? São questionamentos que todos os crentes deveriam se fazer até que encontrassem respostas racionais para todos eles.

O contrário de culto racional é culto irracional. Ou seja, algo que é feito instintivamente, sem critérios ou razões que justifiquem os procedimentos adotados. Em um culto assim é praticamente impossível se seguir o que está escrito: “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (I Coríntios 14:40) . É impossível que haja qualquer um dos dois componentes pedidos sem que se entenda a natureza de cada um. E é preciso racionalidade para que isso aconteça. Por isso Deus nos fez diferentes das demais criaturas, ou seja, nos criou à sua imagem e semelhança: para que o adorássemos em espírito e em verdade, conscientes de nosso ato e de nossa missão de adoradores.

O reino de Deus é um reino de decência e ordem. Não há espaço para improvisos de última hora. A construção da arca e do tabernáculo comprovam a mensagem de organização que Deus quer nos ensinar. Até na salvação haverá ordem (I Coríntios 15:23).

Esse é o padrão que deve ser perseguido pela igreja de Cristo. Deus se agrada de uma obra organizada.

Em dias atuais podemos identificar como grande adversário desse padrão, o excesso de emocionalismo que tem se alastrado no meio cristão. A busca incessante pelo êxtase e pela experiência sobrenatural extrabíblica, a incorporação de ‘anexos’ doutrinários à Palavra de Deus, como se esta não fosse suficiente e os modismos importados recheados de técnicas mirabolantes de quebra de maldições e encontros obscuros são os componentes deste fim de séc. XX e início de séc. XXI. O que não é uma surpresa, Paulo já alertava que essas coisas fatalmente aconteceriam (I Timóteo 4:1).

Nesse caldeirão doutrinário sem consistência – já que não se sustentam biblicamente – as pessoas estão se dirigindo às igrejas sem saber exatamente o que vão fazer por sua espiritualidade. Vão dançar, cantar, aplaudir, gritar, enfim, sem entrar no mérito dessas questões, quase sempre falta o elemento principal: a Palavra de Deus. Entram e saem alegres e exaustas. O problema é: entenderam a mensagem? A palavra que foi pregada edificou suas vidas? Deus falou com elas através de seu evangelho? Se à maioria dessas perguntas as respostas forem algo como “acho que sim”, algo está fora do lugar.

Cultos de estudo são sempre vistos como ‘enfadonhos’ e ‘entendiantes’. Já pensou, passar quase uma hora apenas consultando referências na Bíblia? Que chato, não? Agora observe Neemias 8:3 “E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.” Estudo bíblico das seis da manhã até o meio-dia. Após isso, inclinaram-se, e adoraram o Senhor com o rosto em terra. Que lindo, não?

Uma proposta dessas nos dias de hoje seria impensável. Mas se o trabalho for uma celebração com um nome da moda, aí somente um dia inteiro é pouco.

A questão é que não há culto racional sem o entendimento da Palavra. Os ‘avivalistas’ de plantão trocam a bíblia por apostilas preparadas especialmente para direcionar as pessoas para a conclusão que lhes interessa. Seguem o exemplo das testemunhas de Jeová. Alguém já viu um deles evangelizando com uma bíblia em punho? Não, só vão às ruas com exemplares de ‘sentinela’ e ‘despertai’ ou, quando muito, com seus livretos particulares.

Por isso Paulo fala em ‘sacrifício vivo’. Ou seja, sacrifício da vontade da carne para fazer a vontade de Deus. E isso requer dedicação à sua Palavra e não somente àquilo que dá prazer, como por exemplo, ir para um retiro. Requer decência e ordem. Compromisso e organização.

Autor: Missionário Neto Curvina
Fonte: [ Palavra Prudente ]
Via: [ Bereianos ]



Palavras como teologia e doutrina têm conotações negativas para muitos cristãos. Isto é uma grande tragédia, pois acredito firmamente que todo cristão precisa estudar teologia em algum momento de sua caminhada cristã. Em nenhuma ordem em particular, aqui vão cinco razões de porque você precisa estudar teologia, e possivelmente algumas delas você não tenha considerado antes.

1. Você já é um teólogo.

Por que você precisa estudar teologia? Porque teologia não é uma coisa que apenas o professor de teologia tem – todos nós cremos em alguma coisa sobre Deus e, portanto, somos teólogos à nossa própria maneira. No entanto, o que precisa ser questionado é se o que você crê é correto, e o estudo da teologia pode ajudar a responder essa pergunta.

2. Seu amor por Jesus é intrisicamente ligado com seu conhecimento de sua Palavra.

Por que você precisa estudar teologia? Porque Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14.15). Ouvi alguém dizendo que o certo cristão pode não ser grande teologicamente, mas estava tudo bem porque ele realmenteamava Jesus. Entretanto, Jesus diz que se nós o amamos, obedeceremos o que ele ordena. Como nós podemos obedecê-lo se nós não vamos à sua Palavra para conhecer corretamente seus mandamentos?

3. Sua doutrina determinará como você vive.

Por que você precisa estudar teologia? Porque o que você acredita (sua doutrina) determinará como você vive (sua prática). Isto pode ser visto em sua vida cotidiana. Se você acredita que alguma coisa é venenosa, você simplesmente não a bebe. Similarmente, suas crenças sobre Deus e sua Palavra determinam como você vive dia a dia. Por exemplo, se você acredita que Deus fala somente através de sua Palavra então você a estudará diligentemente. Entretanto, se você acredita que Deus fala através de impressões e coisas parecidas, então você procurará por aquela pequena voz silenciosa. O exemplo acima drasticamente muda como uma pessoa procurará encontrar a vontade de Deus para sua vida, e ilustra porque você precisa estudar teologia.

4. Suas afeições determinarão o que você estuda.

Por que você precisa estudar teologia? Porque onde suas afeições estão colocadas determinará o que você gastará tempo estudando. Se seu hobby é fotografia você desejará estudar o assunto para saber como melhorar suas fotografias e aumentar seu amor e apreciação por esse passatempo. Da mesma forma, se você é cristão e sua afeição principal está sobre Deus, por que você não desejaria estudar a Palavra para aumentar seu amor e apreciação por ele e sua Palavra?

5. Sua humildade depende disso.

Por que você precisa estudar teologia? Porque sem estudar teologia, é possível que você pense muito bem sobre você, mas não bem o bastante de Deus. Se é verdade que o conhecimento incha (1 Coríntios 8.1), as Escrituras, pelo contrário, quando corretamente entendidas e aplicadas, darão a você, por exemplo, o conhecimento da depravação e miserabilidade humana diante de Deus, e também darão conhecimento da magnificência, santidade, soberania e graça de Deus, o que somente pode servir para levar um verdadeiro convertido a ajoelhar-se em humildade.

Possa Deus ser glorificado quando você estudar teologia, com o desejo de saber mais sobre sua revelação especial ao homem.

Autor: Nathan W. Bingham
Fonte: [ Iprodigo ]
Via: [ Bereianos ]




Deus… nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos… (2 Timóteo 1.9)

A doutrina que é Deus e somente Deus quem salva se estende à natureza e papel da fé na salvação. Os cristãos estão acostumados à ideia que somos “salvos pela fé”, mas nem sempre é claro para eles o que isso significa. Paulo coloca a fé em contraste com as obras em suas exposições sobre a salvação. Contudo, as ideias simples de fé e obras são apenas abreviações de visões mais completas sobre o assunto. O apóstolo se opõe à visão que diz “Eu salvo a mim mesmo por minhas obras”, mas ele não substitui isso por “Eu salvo a mim mesmo por minha fé”! Todavia, alguns cristãos falam e pregam como se essa fosse a doutrina apostólica, que não nos salvamos pelas obras, mas nos salvamos pela fé. Quando os cristãos esquecem que a salvação pela fé é posta como um contraste contra a salvação pelas obras, eles tendem a colocar o foco sobre a fé como tal como o caminho ou o meio para a salvação. Mas a fé em si não pode salvar. Fé é um termo relacional – você crê em algo. É esse “algo” que salva você. Fé é somente um termo descritivo para a relação.

Isso é essencial porque Paulo não diz que Deus te salva porque você colocou sua fé nele. De fato, isso seria verdadeiro a partir de uma perspectiva – depende do que “porque” significa – mas Paulo está considerando o cerne da questão. Ele diz que Deus te salva por causa do seu propósito e graça. Isto é, ele te salva por causa da sua própria razão e bondade. Se é assim, então pelo menos quando falando neste nível, não podemos dizer que Deus te salva por causa de sua fé, visto que sua fé não é o mesmo que o propósito dele, e sua fé não é a graça dele. E se Deus não te salva por causa de sua fé, então ele não te salva por causa de fé prevista. Deus não te escolheu para salvação porque ele sabia de antemão que você creria em Cristo. Antes, ele te escolheu por causa do propósito dele, à parte da sua fé.

Estamos prontos para abordar um defeito generalizado no entendimento da salvação pela fé. Muitos cristãos falham em definir fé de tal forma a distingui-la das obras de forma significativa. Eles reconhecem que somos salvos pela fé, não pelas obras. Contudo, fé, ou crer, é algo que fazemos, ou não? Eles respondem que a fé não é uma ação que produz mérito para conquistar a salvação; antes, o crente é como uma pessoa que estende sua mão para aceitar um presente, não conquistado, mas dado gratuitamente por outra pessoa.

Há pelo menos dois problemas com isso. Primeiro, é arbitrário insistir que essa ação não é meritória ou pelo menos uma bondade moral, especialmente quando a Bíblia chama a incredulidade de pecaminosa. A fé é de fato uma bondade moral. Segundo, isso não pode explicar o porquê uma pessoa crê enquanto outra não. Deve haver alguma diferença entre as duas pessoas. Visto que é moralmente bom crer em Cristo, e visto que é moralmente mau rejeitar a Cristo, se a fé é como um homem que estende uma mão para aceitar algo, então a diferença entre as duas pessoas deve incluir uma dimensão moral também. Em outras palavras, sob essa visão, uma pessoa que aceita a Cristo o faz porque ela já é uma pessoa melhor que aquela que rejeita a Cristo mesmo antes de realmente aceitar a Cristo. Os cristãos são pessoas melhores que os não cristãos antes de se tornarem cristãos. Contudo, Paulo chama a si mesmo de o pior dos pecadores.

A Escritura define fé de uma forma diferente. Paulo diz que a própria fé é um dom (Efésios 2.8). E se a própria fé é um dom, o que é a mão que recebe a fé? A analogia da mão é inexata e inútil, mas se formos mantê-la por causa da ilustração, então ela deve ser drasticamente modificada. Visto que a própria fé é um dom, então a salvação não pode consistir em Deus estender o dom da justiça para nós enquanto esticamos a mão da fé para tomá-lo. Antes, não começamos com nenhuma mão, mas Deus cria uma mão onde não existia nenhuma antes. Então, ele chega, toma a nossa mão e a puxa, e coloca o dom da justiça na mão que ele criou, e após isso ele empurra a mão de volta para o nosso lado. Ela é “nossa” mão somente no sentido que está ligada a nós, mas ela é um dom e uma criação de Deus, e sujeita ao seu controle. É somente nesse sentido que Deus nos salva “por causa” da nossa fé, isto é, no sentido que fé é parte da sua obra de salvação em nós e que fé é parte do processo pelo qual ele nos salva. Dessa forma, permanece o fato que ele nos salva por causa dele mesmo. É mais preciso dizer que temos fé porque ele nos salva, e não que ele nos salva por causa da nossa fé.

Não somos salvos pela fé como tal, ou pela própria fé; antes, somos salvos por Cristo somente, e ele nos salva dando-nos fé. Fé é nossa consciência de sua operação em nós quando ele estabelece uma relação espiritual conosco. É correto dizer que somos salvos pela fé, conquanto percebamos que isso é uma forma resumida de dizer que é Cristo quem nos salva dando-nos fé, e a questão é posta dessa forma para fazer um contraste contra a visão que somos nós quem salvamos a nós mesmos por nossas obras, ou que Deus concede salvação a alguns e não a outros sobre a base das nossas obras. O dom da justiça é dado aos escolhidos por meio do dom da fé. Se você tem fé, é porque é o propósito de Deus que você tenha fé. Se você crê em Jesus Cristo, é porque Deus decidiu, à parte de algo em você ou sobre você, que você creria em Jesus Cristo. A salvação é totalmente uma obra de Deus, de forma que não existe nenhum lugar para nos orgulharmos, nem mesmo pelo fato de termos fé.


Autor: Vincent Cheung
Fonte: Reflections on Second Timothy
Via: Monergismo



Jeremias teve uma vida dura. Deus o chamou para levar uma mensagem de castigo aos israelitas e por isso eles o odiavam, e até sua própria família conspirou contra ele. O profeta não tinha prazer em proclamar tal mensagem e em se opor a todo mundo, mas era a mensagem que Deus lhe mandou anunciar e que inspirou no profeta pelo seu Espírito.

Por isso, lemos em certo lugar, “Porque, sempre que falo, tenho de gritar e clamar: Violência e destruição! Porque a palavra do SENHOR se me tornou um opróbrio e ludíbrio todo o dia. Quando pensei: não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome, então, isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer e não posso mais” (Jeremias 20.8-9). É comum os cristãos citarem o versículo 9 para expressar o intenso desejo que sentem de pregar o evangelho, mas insultamos Jeremias se ignorarmos o contexto original. A sua tarefa era anunciar aos israelitas que Deus enviaria os inimigos deles para matá-los e capturá-los. Isso lhes sobreviria como castigo contra a idolatria e desobediência de Israel. A decisão estava tomada e a sentença não poderia ser evitada. Era tarde demais. Deus disse a Jeremias que ainda que Moisés e Samuel orassem pelo povo ele não atenderia.

Jeremias não queria anunciar uma mensagem tão severa, mas Deus queria que ele o fizesse e pôs uma compulsão espiritual tão intensa nesse vaso de barro que, mesmo quando o profeta decidiu recolher o seu ministério, o fogo ardeu dentro dele até ser impossível aguentar. Mais uma vez ele abriu a boca e “Violência e destruição!” foi o que saiu. Conforme escreveu Paulo, “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus” (Romanos 11.22). Este é o tipo de Deus a quem servimos: quando pecadores o agravam o suficiente, ele os mata e os lança no inferno, que é a coisa certa a se fazer.

Tiago escreveu que Elias era homem exatamente como nós, mas ele disse isso para que imitássemos o seu exemplo de fé na oração (Tiago 5.17), não para que corrêssemos quando perseguidos por Jezabel. Se você pudesse parar a chuva por três anos e meio, então poderia ter uma desculpa para se esbaldar em lamurias – bem, nem mesmo assim. De qualquer forma, se tudo o que sabe fazer é correr quando alguém lhe persegue, então você não é Elias.

Jeremias também era homem como nós e, sentindo a pressão dos opositores, exasperou-se, e orou: “Justo és, ó SENHOR, quando entro contigo num pleito; contudo, falarei contigo dos teus juízos. Por que prospera o caminho dos perversos, e vivem em paz todos os que procedem perfidamente?” (12.1). Parece haver um consenso na literatura cristã – exceto com relação a alguns escritores pentecostais e carismáticos sempre acusados de terem um entendimento deformado quanto à fé – de que esse tipo de oração de queixa é digno de imitação. Os cristãos são encorajados a desabafar as suas frustrações diante de Deus, ainda que em tom questionador e acusatório. Isso é conselho de perdedores espirituais para perdedores espirituais, que buscam justificar essa atitude apelando aos profetas e aos salmos, mas deixam de mencionar como Deus reagiu a tal conduta.

Por exemplo, Asafe se perturbou com a prosperidade dos ímpios no Salmo 73, mas admitiu que estava errado, que seu pé quase resvalou, e que era néscio e ignorante e como um animal selvagem diante de Deus. Noutras palavras, ele jamais deveria ter falado do modo como falou. Mas se nem mesmo Asafe não teve desculpa, por que você acha que tem uma, já que se beneficia do Salmo 73 e muitos mais? Devemos apelar aos profetas e aos salmos para proibir tal tipo de atitude e de oração. Se você não pode dizer algo reverente a Deus, cale a boca e leia a resposta que ele já deu na Bíblia. Depois, comece a sua oração com arrependimento por causa da sua fé fraca e das suas emoções blasfemas.

Jeremias era um vencedor espiritual. Era esse o seu destino. E Deus não lhe permitiria pensar como perdedor – talvez permitisse a alguém como você. Por isso ele disse ao profeta: “Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?”. Noutras palavras, “Se agora você não aguenta e se agora tropeça, como terá êxito quando as coisas ficarem ainda mais difíceis?”. Esse é um conselho para vencedores espirituais, para alguém destinado à grandeza crescente no serviço de Deus.

A maioria das nossas tribulações não é nada como as ameaças enfrentadas por Jeremias, e o grau de fé e de paciência que ele demonstrou seriam inconcebíveis para os cristãos de hoje. Assim, para descer ao nível deles, eu diria que “se neste momento você está imobilizado pela angústia porque o seu bichinho de estimação morreu, como conseguirá transmitir ânimo a alguém cujos filhos pereceram num acidente ou como combaterá os ateus e os hereges?”. Dá para entender?

O conselho de Deus é severo, quando medido pelos sentimentos delicados e efeminados do cristianismo moderno. Ele nos desafia a renunciarmos a nossa autopiedade e incredulidade pondo dificuldades ainda maiores diante de nós. Ele se recusa a afrouxar as suas demandas por excelência. Isso é contrário à mentalidade perdedora da psicologia anticristã que tem envenenado os ensinamentos de pregadores e conselheiros cristãos. O nosso Senhor Jesus não é um daqueles que diz “Sei, sei, deixa tudo pra lá…”, mas alguém que exclama “Até quando vou ter de aguentar vocês? Até quando vou ter de aturar isso? Homens, onde está a fé de vocês?” (ver Mateus 17.17, Lucas 8.25). Ele quer que seus discípulos sejam vencedores espirituais. Ironicamente, hoje, esse modo de ver seria considerado anticristão, desprovido de amor e refinamento.


Autor: Vincent Cheung
Tradução: Marcos Vasconcelos
Fonte: Monergismo



Certa vez passei algum tempo com cerca de vinte irmãos num local onde, não havendo recursos adequados onde estávamos hospedados para tomar banho, diariamente nos dirigíamos ao rio para um mergulho. Numa destas ocasiões, um irmão teve cãibra numa perna, e vi que ia afundar-se. Fiz sinal para que outro irmão, exímio nadador, se apressasse a socorrê-lo. Fiquei perplexo ao ver que este não se mexeu, e gritei no meu desespero: "Não vê que o homem está se afundando? " E os demais irmãos em volta, tão agitados como eu, também gritavam vigorosamente. Nosso bom nadador, porém, ainda nem se mexeu, como se fosse adiar ou recusar a desagradável missão. Nesse ínterim, a voz do pobre irmão que se afogava, foi se enfraquecendo, e os seus esforços foram ficando mais débeis. No meu coração disse: "Odeio este homem! Deixa um irmão afogar-se perante os seus olhos, sem ir em seu auxílio!"

Quando, porém, o homem estava realmente se afundando, o nadador, com poucas e rápidas braçadas, encontrava-se ao seu lado, e ambos chegaram a salvo à margem. Na primeira oportunidade, dei a minha opinião: "Nunca vi qualquer cristão que amasse a sua vida tanto como você! Pense, quanta aflição você poderia ter poupado àquele irmão se tivesse considerado um pouco menos a sua própria pessoa, e pensado um pouco mais nele?". O nadador, porém, conhecia o seu trabalho melhor do que eu. "Se eu tivesse ido mais cedo", respondeu, "ele ter-me-ia agarrado tão fortemente que ambos nos teríamos afundado. Quando um homem está se afogando, não pode ser salvo até que fique completamente exausto e deixe de fazer o mínimo esforço para se salvar".

Você percebe? Quando nós abandonamos o caso, Deus passa a Se encarregar dele. Fica esperando até que os nossos recursos se esgotem e nada possamos fazer por nós próprios. Deus condenou tudo o que é da velha criação e consignou-o à Cruz. A carne de nada aproveita. Qualquer tentativa de fazer algo na carne é virtualmente um repúdio à Cruz de Cristo. Deus nos declarou aptos apenas para a morte. Quando realmente cremos nisto, confirmamos o veredito de Deus, abandonando todos os nossos esforços carnais no sentido de agradar-Lhe. Os nossos esforços neste sentido procuram negar a Sua declaração, na Cruz, da nossa absoluta inutilidade. Se continuarmos nos nossos esforços próprios, demonstraremos que não entendemos devidamente nem o que Deus exige de nós, nem a origem do poder para cumprir as exigências.


Autor: Watchman Nee
Fonte: Retirado do livro "A Vida Cristã Normal"



No último dia 29 de Outubro eu completei meu 26º aniversário e, como de costume, recebi muitos parabéns e muitas felicitações de várias pessoas, sejam parentes, amigos, familiares, pessoas mais próximas e até as mais distantes. Contudo, uma coisa tem chamado a minha atenção e não é de agora: a cada ano que passa a quantidade de scraps que eu recebo no orkut no dia do meu aniversário aumenta consideravelmente. Não, meu amigo. Não estou citando isto para mostrar o quanto eu sou popular, mesmo porque eu sou bem sem graça e nunca fiz muito sucesso hehehehe. Na verdade o número de scraps que eu recebi aumentou tanto que fez com que eu parasse para refletir sobre algumas coisas.

Lembro-me que a uns dez ou quinze anos atrás era normal (quase que uma religião) eu sair do ginásio/colégio com uns amigos, irmos até a minha casa e, como estudavamos de manhã, passarmos a tarde inteira e uma boa parte da noite jogando vídeo-game. Bons tempos esses... Para aqueles que não tinham vídeo-game, esses momentos eram as raras vezes que eles poderiam jogar uma partida de futebol virtual de qualidade, uma vez que naqueles dias era difícil encontrar alguém que tivesse um Playstation (na época um vídeo-game de última geração) e quase impossível encontrar alguém que além de ter um bom vídeo-game ainda morava perto da escola. Para aqueles que já tinham um console era mais uma oportunidade para "fazer um social" e ganhar umas partidas dos mais novatos. E foram muitos anos de jogatina...

Com o passar do tempo e com a evolução tecnológica esses momentos foram ficando cada vez mais raros e quase inexistentes. Claro que os estudos, o trabalho, nossa família, as obrigações do dia-a-dia e o aumento das responsabilidades que vem no decorrer do anos interferiram muito nisso também. Mas no momento eu quero me focar na tecnologia. Hoje eu ainda jogo e me divirto no vídeo-game com os meus amigos, mas são muito raras as vezes que eles precisam ir até a minha casa para jogar. Agora basta que eu conecte meu video-game na internet e, como que num passe de mágica, já estou conversando com os meus amigos e dividindo algumas partidas com eles. Por um lado isto é muito bom. A facilidade que tenho agora para me divertir com amigos distantes é incrível. Alguns dos meus parceiros favoritos de jogatina moram na Santa Catarina, no Ceará e no Sergipe. Não precisa ser muito bom em logística para saber que a distância entre a minha maravilhosa Sorocaba, no interior de São Paulo, e estes estados é muito maior que a distância dos quatro quarteirões entre a minha casa e a minha ex-escola. Mas, da mesma maneira que a internet tem o poder de unir pessoas que estão distantes uma das outras ela também tem o poder de afastar as pessoas que não estão tão longe assim. Isso porque muitos daqueles que moram na sua cidade, no seu bairro ou até mesmo na sua rua preferem a maneira mais cômoda de cada um jogar na sua casa. "Aquele que dentre vós está sem pecado atire a primeira pedra" (Jo 8:7). Seria hipocrisia de minha parte dizer que eu não faço o mesmo. Ainda que eu me preocupe com a falta do contato humano entre as pessoas muitas vezes eu não faço muito para mudar este quadro. Mas isso me incomoda e espero que esteja te incomodando também.

Perceba quantas vezes nós temos trocado um tempo de relacionamento com os nossos amigos e familiares, talvez uma troca de abraços, um aperto de mão ou um beijo por um telefonema, um msn, um sms, um tweet, um email ou um scrap. Quero deixar claro que não sou contra a tecnologia. Trabalho na área de tecnologia de informação e sei o quanto é util o avanço tecnológico. O problema está em trocarmos um tempo de qualidade com as pessoas que estão perto de nós por esses apetrechos modernos que em nada podem substituir o calor e o contato humano.

Claro que eu fiquei feliz com a demonstração de carinho através dos scraps, ainda que talvez alguns dos que mandam felicitações mandam apenas por desencargo de consciência, uma vez que o orkut mostra quando as pessoas estão fazendo aniversário. Mas mesmo assim eu tive o maior prazer em gastar algumas horas lendo um por um dos scraps e respondendo a todos eles. Contudo, ainda assim ficou aquela sensação de que alguns dos que estavam perto agora parecem não estar tão perto assim e que a distância entre uma rua e outra na mesma cidade é bem relativa - o outro lado da sua rua pode ter a mesma distância que a Terra e a Lua. O mais interessante é que a grande maioria dos scraps terminam com "beijos" ou "abraços"... Estranho, neh? Antigamente era necessário contato para os "beijos" e para os "abraços". Hoje bastam algumas letras... mas foram poucos os que eu realmente senti. Certamente eu trocaria mil scraps escritos "abraços" por um único abraço de verdade.

Não se sinta culpado se você estiver lendo isso, principalmente se você foi uma das pessoas que mandou felicitações para mim. Eu também sou assim. Sou moldado pela vida moderna e uso muito o orkut, o msn e a internet. A intenção não é acusá-lo de nada mas sim fazer com que nós venhamos a refletir sobre como estão os nossos relacionamentos e o que poderiamos fazer ou deixar de fazer para melhorá-los e fortalecê-los.

Por isso, pense nisso.


Autor: Cláudio Neto (apesar do tom melancólico do post deixo claro que não estou "emo" huehuehuehuehe)


Brian Phillip Welch, conhecido como Head, é ex-integrante e um dos fundadores do Korn, banda americana de Nu Metal. Em 22 de fevereiro de 2005, Head anunciou em uma rádio dos Estados Unidos sua saída da banda dizendo que tinha "... escolhido o Senhor Jesus Cristo como seu salvador e estará dedicando sua carreira musical para este fim". A notícia de sua saída foi confirmada pela banda logo depois.

Após sua conversão Head já gravou um disco chamado Save me from myself (Salve-me de mim mesmo) e escreveu três livros:


- Save me from myself
- Washed by Blood: Lessons from My Time with Korn and My Journey to Christ (Lavado pelo sangue: Lições do meu tempo com Korn e minha jornada até Cristo)
- Stronger: Forty Days of Metal and Spirituality (Mais forte: quarenta dias de metal e espiritualidade)

No vídeo abaixo, gravado para o I am Second (um grupo que, entre outras coisas, reúne testemunhos de pessoas que deixaram a vida que tinham para seguir ao Senhor) Head conta um pouco de como era sua vida e como foi resgatado dela pelo Senhor Jesus.



Certa vez, na China, visitei um líder Cristão que estava de cama, doente, e quem, por causa da sua história chamarei de sr. Wong, ainda que esse não seja seu verdadeiro nome. Ele é um homem muito culto, um PhD., e alguém que era estimado em toda a China por seus altos princípios morais, e por muito tempo esteve engajado no serviço cristão. Mas ele não cria na necessidade de regeneração. Ele apenas proclamava aos homens um evangelho social de amor e boas obras.

Quando visitei o Sr. Wong, seu cachorrinho estava ao lado de sua cama, e, após ter falado com ele das coisas de Deus e da natureza de Seu trabalho em nós, apontei para o cachorrinho e perguntei qual era o seu nome. Ele me disse que seu nome era Fido. "Fido é o seu primeiro nome ou o seu sobrenome"? Perguntei (utilizando os termos chineses para "primeiro nome" e "sobrenome"). "Oh, esse é apenas o seu nome", respondeu ele. "Você quer dizer que é apenas o seu primeiro nome? Posso chamá-lo Fido Wong"? Prossegui. "Certamente que não"! Veio a resposta enfática. "Mas ele vive com a sua família", retruquei. "Por que você não o chama de Fido Wong"? Então, apontando para suas duas filhas, perguntei: "Suas filhas não se chamam srta. Wong"? "Sim"! "Bem, então, por que não posso chamar seu cachorro de Mestre Wong"? O doutor riu e eu prossegui: "Você entende onde quero chegar? Suas filhas nasceram na sua família e têm seu nome porque você comunicou vida a elas. Seu cachorro pode ser bem inteligente, bem comportado e, no geral, um cachorro notável. Mas a questão não é: ele é um cachorro mau ou bom?, mas simplesmente: ele é um cachorro? Ele não precisa ser mau para ser desqualificado de ser um membro de sua família. Ele apenas precisa ser um cachorro.

O mesmo princípio aplica-se ao seu relacionamento com Deus. A questão não é se você é homem bom, mau ou mais ou menos, mas simplesmente: É você um homem? Se sua vida está em um plano inferior ao da vida de Deus, então você não pode pertencer à família divina. Durante toda a sua vida, seu objetivo ao pregar tem sido transformar homens maus em homens bons. Mas homens em si mesmos, quer sejam maus ou bons, não podem ter qualquer relacionamento vital com Deus. Nossa única esperança como homens é receber o Filho de Deus e, quando o fazemos, Sua vida em nós nos constituirá filhos de Deus. O doutor viu a verdade e, naquele dia, tornou-se um membro da família de Deus ao receber o Filho de Deus no coração. O que hoje possuímos em Cristo é mais do que Adão perdeu. Adão era apenas um homem desenvolvido. Permaneceu naquele plano e nunca possuiu a vida de Deus. Mas nós, que recebemos o Filho de Deus, recebemos não só o perdão dos pecados, mas também recebemos a vida divina que estava representada no Jardim pela árvore da vida. Pelo novo nascimento, possuímos o que Adão perdera, pois recebemos uma vida que ele nunca teve.


Autor: Watchman Nee
Retirado do livro "A Vida Cristã Normal".



Quando vi, quase não acreditei. Aliás, eu não teria acreditado se não tivesse visto. Era um envelope para por ofertas. Havia, em letras garrafais, sobre um fundo vermelho: "Grande campanha da prosperidade". Em meio a uma nuvem de versos descontextualizados, estava um espaço para por o valor da oferta. No verso do envelope havia: "Senhor, eu quero:". Como em uma prova de múltipla escolha, tinha várias opções para marcar, como prosperidade na saúde, emprego, aumento de salário, geladeira, fogão, forno microondas, jogo de cozinha, jogo de sofá, calçados, roupas, computador, sítio e outros.

Ah, meu irmão, eu fiquei louco. Sabe quando o zelo pela Palavra se mistura com nossa carnalidade? Foi exatamente isso. Eu queria bater muito no pastor da sinagoga de satã que promoveu essa campanha. Mas que doideira! Como alguém pode viver algo assim e ainda por cima chamar isso de cristianismo? Como alguém pode fazer um “toma lá, da cá” com Deus? Eu dou minha oferta, marco a opção de minha preferência e recebo o que quero, como numa máquina de refrigerantes. É como dizem, sabe... uma mão lava a outra. Nós damos a Deus nossa semente e Ele nos dá os acres de terra. É a barganha santa...

Sabe, diante de tudo isso, existe algo que me incomoda muito. Quando eu olho para dentro de mim e analiso minhas orações, percebo que eu também tento barganhar com Deus. Não que eu dê dinheiro em troca de bens, mas, muitas vezes, eu entrego minha oração a Deus com o único intuito de receber algo em troca. Às vezes eu vou a Deus não para ter comunhão com Ele, mas apenas para pedir por alguém ou por mim, independente do relacionamento paternal que deveríamos ter. Não para adorá-lo incondicionalmente, mas por que eu quero algo e, mesmo dizendo “que seja feita a sua vontade”, tenho que a oração é o preço para conseguir. É como dizem, sabe... uma mão lava a outra.

Claro que existem proporções a considerar, mas quando eu olho com cuidado, vez por outra não vejo muita diferença entre minhas orações e a "Grande campanha da prosperidade". Parece que a vontade de pagar por algo já vem na má natureza humana e isso corrompe até nossas orações. Lutar contra o sentimento de orar apenas por um fim tem se tornado minha luta diária. Agora, antes de dobrar meus joelhos já sabendo por quem ou por que orar, tento me relacionar com meu Senhor, sem esperar nada em troca. Espero que Deus continue operando no meu coração e me levando a adorá-lo incondicionalmente. Não apenas pedindo benção para mim ou para outros, mas sendo filho. E como filho, me relacionando com meu Pai. Não quero dar minha oração a Deus e, inconscientemente, marcar quais bênçãos eu quero receber. Que Deus nos dê força para rasgar o nosso envelope para ofertas e substituí-lo por uma comunhão real e vida com aquele que nos ouve e conhece nossas necessidades.



Autor: Yago Martins, colaborador dos sites Voltemos Ao Evangelho e Teologia e Vida
Fonte: Pulpito Cristão


***

Nota do blog: A intenção do blog Antes que as Pedras Clamem não é falar mal de denominações, pregadores, pastores ou qualquer um que se auto-nomeia com qualquer outro título ou cargo. O propósito principal do nosso blog é pregar contra as falsas doutrinas que corrompem o verdadeiro evangelho, que é centrado na pessoa de Cristo. A imagem do envelope neste post é apenas um exemplo do que acontece em várias outras denominações em nosso país. Portanto não leve para o lado pessoal ;)




O movimento neopentecostal tem produzido uma caricatura mal acabada da essência do cristianismo bíblico. Normalmente aqueles que não são cristãos acabam colocando no mesmo saco os crentes bíblicos e os filhos das heréticas correntes neopentecostais.

A enxurrada de modas, invencionices e mesmo blasfêmias preocupa aqueles que têm buscado uma vivência cristã livre desse misticismo bizarro, onde a cruz é esquecida, a graça é pisada e as práticas egocêntricas são incentivadas.

Nessa pequena série de textos vamos mostrar uma análise diferenciada de como o movimento neopentecostal é defeituoso em essência e que precisa ser combatido doutrinariamente.

O meio para tal análise é através de algo comum à vida das pessoas: desenhos animados! Mas calma, não será nada relacionado ao frenesi das mensagens subliminares ou daqueles fanáticos caça-demônios. Quem tem filho pequeno em casa deve ter experiência semelhante à minha, onde os pimpolhos gostam mesmo é de ver animações na TV.

Nessa ida e vinda de desenhos atuais que tenho visto, e me lembrando dos antigos que já vi, notei que algumas nuances dessas animações são muito particulares a algumas práticas neopentecostais.

A Fuga das Galinhas

“A Fuga das Galinhas” é uma animação britânica produzida no ano 2000, dirigida por Peter Lord e Nick Park. O cenário é uma granja de galinhas, retratado na década de 50 na Inglaterra, onde as ditas tentam a todo custo escapar da rotina diária da produção de ovos ou – no extremo – da degola em caso de déficit produtivo. A líder do bando é a simpática Ginger, uma galinha que sonha com algo melhor para suas amigas.

Após muitas e muitas tentativas frustradas, eis que Rocky, “O Galo Voador”, surge miraculosamente na vida das galinhas e tentará ensiná-las a voar. A divertida animação continua e algo em particular me chamou a atenção em dado momento.

Os donos da granja compram uma máquina para produzir tortas de galinha, e ao aumentar a porção de ração para engorda dos bichos, Ginger, esperta como só, alerta a todas as galinhas que o intuito dos granjeiros nada mais é que engordá-las para matar a todas para a produção de tortas.

Eis que o espertalhão Rocky entra na cena e interrompe a conversa. O diálogo fica assim:


Rocky: - Você deve pegar mais leve. Saiba que na América temos uma regra, se você quer motivar alguém, não fale em morte!
Ginger: - Engraçado, pois aqui a regra é: fale a verdade sempre!
Rocky: - Ah, e isso dá ótimos resultados, né? Eu te dou um conselhinho, se quer resultado, diga o que elas querem ouvir.
Ginger: - Ou seja, minta!
Rocky: - Ah pronto, começou de novo! Sabe qual é o seu problema? Você complica!
Ginger: - Por que? Por que eu sou honesta? Eu me preocupo com elas...


Em síntese, omita a verdade e fale apenas aquilo que a platéia quer ouvir.

A declaração do galo Rocky faz lembrar o modus operanti da maioria dos pregadores neopentecostais e outros moderninhos que esqueceram a cruz: esconda a verdade, esconda a morte, fale aquilo que a platéia quer ouvir, e não o que deve ouvir. Lustre os ouvidos ávidos em um evangelho falso.

Que o relativismo é um elemento presente no meio secular, não é novidade, mas quando isso se infiltra no meio “chamado evangélico”, temos um trágico cenário formado, onde Cristo que é o Principal fica afastado. Eis o motivo da preocupação citada no início deste texto.

Pra que se falar em morte, em cruz, em eternidade, quando o povo quer ouvir sobre vitória, conquista, bem estar, chuva de prosperidade neste tempo, neste século?

Morte? Verdade? Acaso esses elementos estão presentes no movimento neopentecostal?

Interessante é que os vendilhões dos dias de hoje fazem como o galo Rocky, mentem para o povo de modo gritante e ainda acusam os poucos que não se prostraram diante do bezerro da prosperidade de “complicadores”. Me sinto como a Ginger, querendo alertar amigos e irmãos sobre o perigo que correm, mas sendo sempre considerado um “complicador”... ajuda-nos Senhor!

Os galos de plantão, relativistas que são, fogem da verdade e vendem fábulas ao povo. Não anunciam a morte do Cordeiro e muito menos Sua ressurreição, que dirá então de Sua volta! (2Tm 4.3-4).

“Facilitadores” que são (pois não complicam as coisas), falam apenas em dádivas, e nunca na cruz que deve ser carregada (Mt 10.38).

E por fim, como não são honestos, preferem tão somente a falsa piedade para alcançar o mero lucro (1Tm 6.5).

Sejamos sóbrios e vivamos longe desses pregadores “Galo Rocky” (que mais são lobos que qualquer outra coisa). Uma mera religião sem morte, que não fala sobre a Verdade, que fica polindo ouvidos “com aquilo que as pessoas querem ouvir” e preocupado com resultados rasos, que mente, que não é honesto e não se preocupa com as pessoas, nem de longe é cristianismo.

Vigiai!

Toda honra e glória ao Senhor!

Autor: João Rodrigo Weronka
Fonte: [ NAPEC ]
Via: Bereianos



Quem já assistiu o filme tropa de elite 2 vai entender melhor. Quem não assistiu, assista! O filme é espetacular, todo brasileiro deve assistir. Como o próprio slogan diz, o inimigo agora é outro. A milícia. Ela é um grupo criminoso formado principalmente por policias para controlar as favelas através de contribuições da população. Alegam que estão defendendo a população do tráfico, mas fazem o mesmo que os traficantes. Extorquem, matam e manipulam o povo. Existem sempre alguns políticos por trás das milícias. Eles fazem dos morros seus currais eleitorais, comprando votos e ameaçando os eleitores. Aqueles que deveriam livrar o povo da opressão do tráfico são os que mais oprimem a população. Foi ai que eu percebi uma mera coincidência com a igreja que se diz cristã, mas de cristã não tem nada.

Existem milícias fantasiadas de igrejas. Descobriram que a extorsão pela fé é mais fácil e limpa. Não precisa de violência e com certeza ninguém corre o risco de ser preso. Viram no cristianismo uma forma de manipular e enriquecer pregando a oferta, a cura e a prosperidade. Principalmente a última. De novo, aqueles que deveriam levar o perdão de Cristo, paz, amor, conforto e esperança são aqueles que oprimem e cobram pela graça. Já parou para pensar nisso? Se sua igreja cobra por algo que é de graça, ela está lhe roubando! E é isso que as milícias fazem. Cobram por aquilo que deveria ser de graça. Analise seu pastor e sua igreja. Leia a palavra. Saiba tudo que Deus oferece pela graça. E se algumas dessas coisas estiverem sendo “vendidas” saia correndo, pois ali não está um pastor de ovelhas, mas um lobo tentando devorá-las.

Cobram pela sua salvação. Cobram pela sua cura. Cobram pela sua felicidade. Cobram pela sua prosperidade. Cobram por aquilo que Jesus já pagou. Estão extorquindo os fiéis como os traficantes e policiais corruptos. Clique aqui para ver alguns vídeos já postados sobre isso. É uma verdadeira sujeira feita em nome de Deus. O assunto é repetitivo, mas enquanto houver milícias dentro da Igreja temos que lutar contra ela. O sistema, como diz o Capitão Nascimento, é grande e antigo. Vem desde a época da legalização do cristianismo no império romano. Vários homens já se levantaram contra ele e nós não podemos ficar parados sendo coniventes. Falsos ensinamentos precisam ser combatidos com a verdade e os falsos mestres identificados, julgados e condenados pelo que fizeram com a população. E mesmo que eles saiam impunes dessa vida, não passaram na eternidade.

Nessas eleições outro aspecto da milícia eclesiástica é muito percebido. Usam da influência, da mídia e do nome de Deus para apoiar políticos. E na maioria das vezes políticos que nada tem com os valores cristãos. São pastores se posicionando aqui e ali, buscando aqueles que melhor atendem seus interesses. Uma vergonha que precisa ser duramente combatida! Então, se você já assistiu ou ainda vai assistir o filme, analise as semelhanças com o que acontece hoje nas igrejas. E lembrem-se sempre, para escapar da milícia e dos opressores só precisamos de uma coisa. Da palavra de Deus. Conheçam a verdade e ela vos libertará! (João 8:32).

Quem compraria algo que poderia ter de graça? Quem freqüentaria um lugar assim? Existem muitas igrejas honestas e santas. Leia a palavra e procure essas igrejas. Não fique em nenhum lugar onde vendem coisas que são de graça.

Fiquem atentos.


Autor: Pedro Pamplona
Fonte: Blog do autor
Via: Bereianos


Petra é uma banda norte-americana de rock cristão formada em 1972 pelos guitarristas e compositores Bob Hartman e Greg Hough e é uma das pioneiras no rock cristão.
"Petra" significa "rocha" em grego, e é uma alusão tanto ao estilo musical da banda (rock é o termo em inglês para rocha) como também à crença em Jesus Cristo, A Rocha, ou "a pedra angular rejeitada pelos construtores".
Creio que seja uma das bandas mais influentes no meio e com certeza uma banda que louva ao Senhor de maneira simples, direta e maravihosa. Infelizmente a banda fez seu show de encerramento em 2005 lançando o álbum Farewell, junto com um DVD do último show.

Albums:
- Hehe.. como a lista é bem grande, acessem o link da wikipedia que vocês poderão conferir todos os álbuns lá

Site da banda : http://www.petraband.com

Confiram a baixo um vídeo bem antigo e de baixa qualidade (foi o melhor que consegui achar :( ) mas que mostra uma música linda da banda: Prayer



Prayer

First I want to thank You Lord for being who You are
For coming to the rescue of a man who's drifted far
For calling me to be Your son and calling me to serve
Lord the way You've blessed my life is more than I deserve

Keep the ones I love so dearly
Fill their emptiness while I am gone
And fill the loneliness in me... in me

This is my prayer
Lifted to You
Knowing You care even more than I do
This is my prayer
Lifted in Your name
Your will be done I humbly pray


Let me be the evidence of what Your grace can do
To a generations struggling to find themselves in You
May they come to know the love of God
May their eyes be made to see
Give me the opportunity to share the truth that sets them free


And may unity in all things
Be the banner of Your church
And let revival's fire begin to burn... begin to burn

This is my prayer
Lifted to You
Knowing You care even more than I do
This is my prayer
Lifted in Your name
Your will be done I humbly pray


As we face the last and final hours
Turn a wayward country back to You
And keep us from the evil that devours
Keep us on the path and lead us through
Keep us in Your light until Your kingdom comes
And our work is done

This is my prayer
Lifted to You
Knowing You care so much more than I do
This is my prayer
In Jesus' name
Your will be done I humbly pray
This is my prayer

Oração

Primeiro eu quero Te agradecer Senhor por ser quem Você é
Por vir ao resgate de um homem que desviou seu curso para longe
Por me chamar para ser Seu filho e me chamar para servir
Senhor a maneira que Você abençoa minha vida é mais do que eu mereço

Guarde aqueles que eu amo tanto
Preencha o vazio deles enquanto eu me for
E preencha a solidão em mim... em mim

Essa é minha oração
Levantada a Você
Sabendo que você se preocupa ainda mais do que eu
Essa é minha oração
Levantada em seu nome
Sua vontade seja feita eu humildemente oro

Deixe-me ser a evidência do que Sua graça pode fazer
Para uma geração lutando para se encontrar em Você
Que eles possam vir a conhecer o amor de Deus
Que seus olhos possam ver
Dê-me a oportunidade de compartilhar a verdade que os liberta

E que a unidade em todas as coisas as coisas
Possa ser a bandeira da sua igreja
E deixe o fogo do renascimento começar a queimar... começar a queimar

Essa é minha oração
Levantada a Você
Sabendo que você se preocupa ainda mais do que eu
Essa é minha oração
Levantada em seu nome
Sua vontade seja feita eu humildemente oro

Enquanto encaramos as últimas e finais horas
Volte um país retrogrado para Você
E guarde-nos do mal que devora
Mantenha-nos no caminho e guie-nos por ele
Mantenha-nos na Sua luz até que Seu reino venha
E nosso trabalho tenha sido feito

Essa é minha oração
Levantada a Você
Sabendo que você se preocupa muito mais do que eu
Essa é minha oração
No nome de Jesus
Sua vontade seja feita eu humildemente oro
Essa é minha oração



Nosso relacionamento com Cristo é uma questão de vida ou morte. O homem que conhece a Bíblia sabe que Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores e que os homens são salvos apenas por Ele, sem qualquer influência por parte de quaisquer obras praticadas.

"O que devo fazer para ser salvo?", devemos aprender a resposta correta. Falhar neste ponto não envolve apenas arriscar nossas almas, mas garantir a saída eterna da face de Deus.

Os cristãos "evangelicais" fornecem três respostas a esta pergunta ansiosa: "Creia no Senhor Jesus Cristo", "Receba Cristo como seu Salvador pessoal" e "Aceite Cristo". Duas delas são extraídas quase literalmente das Escrituras (At 16:31; João 1:12), enquanto a terceira é uma espécie de paráfrase, resumindo as outras duas. Não se trata então de três, mas de uma só.

Por sermos espiritualmente preguiçosos, tendemos a gravitar na direção mais fácil a fim de esclarecer nossas questões religiosas, tanto para nós mesmos como para outros; assim sendo, a fórmula "Aceite Cristo" tornou-se uma panacéia de aplicação universal, e acredito que tem sido fatal para muitos. Embora um penitente ocasional responsável possa encontrar nela toda a instrução que precisa para ter um contato vivo com Cristo, temo que muitos façam uso dela como um atalho para a Terra Prometida, apenas para descobrir que ela os levou em vez disso a "uma terra de escuridão, tão negra quanto as próprias trevas; e da sombra da morte, sem qualquer ordem, e onde a luz é como a treva".

A dificuldade está em que a atitude "Aceite Cristo" está provavelmente errada. Ela mostra Cristo suplicando a nós, em lugar de nós a Ele. Ela faz com que Ele fique de pé, com o chapéu na mão, aguardando o nosso veredicto a respeito dEle, em vez de nos ajoelharmos com os corações contritos esperando que Ele nos julgue. Ela pode até permitir que aceitemos Cristo mediante um impulso mental ou emocional, sem qualquer dor, sem prejuízo de nosso ego e nenhuma inconveniência ao nosso estilo de vida normal.

Para esta maneira ineficaz de tratar de um assunto vital, podemos imaginar alguns paralelos; como se, por exemplo, Israel tivesse "aceito" no Egito o sangue da Páscoa, mas continuasse vivendo em cativeiro, ou o filho pródigo "aceitasse" o perdão do pai e continuasse entre os porcos no país distante. Não fica claro que se aceitar Cristo deve significar algo? É preciso que haja uma ação moral em harmonia com essa atitude!

Ao permitir que a expressão "Aceite Cristo" represente um esforço sincero para dizer em poucas palavras o que não poderia ser dito tão bem de outra forma, vejamos então o que queremos ou devemos indicar ao fazer uso dessa frase.

"Aceitar Cristo" é dar ensejo a uma ligeira ligação com a Pessoa de nosso Senhor Jesus, absolutamente única na experiência humana. Essa ligação é intelectual, volitiva e emocional. O crente acha-se intelectualmente convencido de que Jesus é tanto Senhor como Cristo; ele decidiu segui-lo a qualquer custo e seu coração logo está gozando da singular doçura de Sua companhia.

Esta ligação é total, no sentido de que aceita alegremente Cristo por tudo que Ele é.

Não existe qualquer divisão covarde de posições, reconhecendo-o como Salvador hoje, e aguardando até amanhã para decidir quanto à Sua soberania.

O verdadeiro crente confessa Cristo como o seu Tudo em todos sem reservas. Ele inclui tudo de si mesmo, sem que qualquer parte de seu ser fique insensível diante da transação revolucionária.

Além disso, sua ligação com Cristo é toda-exclusiva. O Senhor torna-se para ele a atração única e exclusiva para sempre, e não apenas um entre vários interesses rivais. Ele segue a órbita de Cristo como a Terra a do Sol, mantido em servidão pelo magnetismo do Seu afeto, extraindo dEle toda a sua vida, luz e calor. Nesta feliz condição são-lhe concedidos novos interesses, mas todos eles determinados pela sua relação com o Senhor.

O fato de aceitarmos Cristo desta maneira todo-inclusiva e todo-exclusiva é um imperativo divino. A fé salta para Deus neste ponto mediante a Pessoa e a obra de Cristo, mas jamais separa a obra da Pessoa. Ele crê no Senhor Jesus Cristo, o Cristo abrangente, sem modificação ou reserva, e recebe e goza assim tudo o que Ele fez na Sua obra de redenção, tudo o que está fazendo agora no céu a favor dos seus, e tudo o que opera neles e através deles.

Aceitar Cristo é conhecer o significado das palavras: "pois, segundo ele é, nós somos neste mundo" (1 João 4:17). Nós aceitamos os amigos dEle como nossos, Seus inimigos como inimigos nossos, Sua cruz como a nossa cruz, Sua vida como a nossa vida e Seu futuro como o nosso.

Se é isto que queremos dizer quando aconselhamos alguém a aceitar a Cristo, será melhor explicar isso a ele, pois é possível que se envolva em profundas dificuldades espirituais caso não explanarmos o assunto.


Autor: A. W. Tozer
Fonte: Palavra Prudente
Via: Bereianos